ENTREVISTA // Um balanço de 6 meses de gestão


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30.04.2012
Diario de Pernambuco - Política

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Um balanço de 6 meses de gestão

Anamaria Nascimento 
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Sempre conjugando os verbos na primeira pessoa do plural, o reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o engenheiro civil Anísio Brasileiro, revela nas frases o espírito de sua gestão. Segundo ele mesmo afirma, está buscando alternativas democráticas para administrar uma das maiores instituições públicas de ensino do Brasil. À frente da universidade há seis meses, Brasileiro fez um balanço do primeiro semestre de sua gestão. Até 2015, pretende implementar um novo quadro jurídico que rege as licitações e compras das universidades. Destacam-se em seus planos o incremento das ações de apoio aos alunos, com a criação da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, a realização de um trabalho de humanização do campus, a conclusão das obras de infraestrutura física, além da construção de espaços de convivência, de restaurantes universitários em Caruaru e em Vitória de Santo Antão e de novas casas de estudantes. Uma política de informação e comunicação, que articule as rádios e televisão, as bibliotecas, a editora e o Núcleo de Tecnologia de Informação, também é prioridade do reitorado.

“Vamos construir novas unidades”

Como o senhor avalia os primeiros seis meses de gestão?

Vejo de maneira muito positiva. Quando assumimos a gestão, tínhamos consciência de que iríamos encontrar muitos desafios. Apesar disso, estavámos preparados para enfrentá-los. Nesse primeiro semestre de administração, percebemos que temos o apoio do campus, a confiança da comunidade. Isso porque contamos com uma equipe competente, experiente e bastante motivada. Já tínhamos conhecimento dos desafios da universidade, pois participei da gestão do professor Amaro (Lins, reitor da UFPE de 2003 a 2011) e fui pró-reitor por 8 anos. Então, nós sabíamos do desafio que era administrar uma universidade que cresceu muito nos últimos seis anos. Atualmente, a UFPE aumentou em 50% o número de estudantes da graduação. São 32 mil estudantes na graduação e 7,5 mil na pós-graduação. Somos uma comunidade de 39,5 mil estudantes, além de 2,5 mil docentes e 3,5 mil servidores técnico-administrativos. É um total de 46 mil pessoas nos três campus: Recife, Vitória e Caruaru. Os primeiros meses da gestão foram de planejamento das medidas a serem tomadas até o fim da gestão. Nossa ações foram divididas em diferentes eixos e já demos o pontapé inicial em várias melhorias. Nosso primeiro eixo de trabalho é a preocupação com o protagonismo dos estudantes. Para gerir as necessidades, os anseios e expectativas dos alunos, criamos a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, que está em fase de estruturação. Outro eixo é a criação de um novo estatuto da UFPE. O nosso estatuto precisa ser reformulado para dotar a universidade de instrumentos jurídicos e regulatórios que permitam uma maior rapidez nos procedimentos e um esclarecimento sobre o papel de cada unidade da instituição. E, finalmente, temos o eixo de trabalhos de infraestrutura. Estamos criando uma superintendência para cuidar da construção de novos prédios. Prevemos que, apenas este ano, vamos destinar R$ 38 milhões de recursos do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) para construir novas unidades e ampliar as existentes.

Desde que o senhor assumiu a gestão da universidade, percebe-se um interesse da UFPE em melhorar os arredores da instituição. Como esse trabalho está sendo desenvolvido?

Estamos em diálogo com uma equipe de pesquisadores da universidade que está trabalhando em um projeto de requalificação do entorno do campus. Isso é fruto de uma conversa com a comunidade dos arredores da universidade, como os bairros da Várzea e Engenho do Meio. Para melhorar as condições de vida dos que moram e trabalham nas redondezas, promovemos reuniões com a associação dos barraqueiros que atuam nas proximidades do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Temos uma proposta de requalificação das barracas. Além disso, estamos em contato com o Grande Recife Consórcio de Transportes para melhorar o terminal de ônibus que fica perto do Centro de Tecnologia e Geociências. Já tivemos duas reuniões com o Grande Recife. Eles devem apresentar uma proposta de melhoria da circulação de ônibus na parte externa do campus. Também fizemos pedidos em Caruaru e em Vitória de Santo Antão para que pudessem melhorar o sistema de transporte dos estudantes. Ainda estamos buscando recursos no Ministério da Educação para a melhorar as condições das calçadas no entorno do campus. Esperamos que a estrutura urbanística do campus esteja melhor até o fim do ano. Nesse mesmo período, esperamos também fortalecer as nossas graduações e pós-graduações.

O seu programa de candidatura falava sobre o aumento do número de vagas no vestibular. O próximo vestibular já terá mais vagas?

O aumento do número de vagas va acontecer a partir de negociações com os nossos departamentos. Estamos em negociação com o MEC para criarmos novas vagas para docentes e servidores para a área administrativa. Queremos criar um curso de gestão da saúde na cidade de Vitória. Também temos a intenção de abrir o curso de ciências contábeis em Caruaru. Além disso, estamos trabalhando na criação da Faculdade de Medicina de Caruaru. No Recife, devemos iniciar o curso de engenharia da automação em 2014. Todas essas novas graduações foram aprovadas pelo nosso Conselho Universitário. A pós-graduação também está sendo fortalecida. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) já aprovou um mestrado em direitos humanos e um doutorado em psicologia. Também prevemos a criação de um curso de pós-graduação em Caruaru na área de engenharia da produção.

Recentemente, após um caso de agressão a estudante dentro do campus, alunos da UFPE protestam por segurança. Haverá reforço nas ações de segurança da universidade?

Estamos fazendo um grande esforço para melhorar a segurança do campus. Um processo de licitação para aquisição de novas câmeras está em andamento. Vamos instalar 35 novas câmeras nas entradas do campus do Recife. Os equipamentos devem estar instalados até o fim deste ano. Outro processo de licitação para dar mais segurança aos estudantes, docentes e técnicos é para a construção de postos de controle operacional nas entradas do campus. Também vamos adquirir veículos, fardamento e material preventivo para nossos agentes de segurança institucional. Nosso efetivo deve aumentar em breve, pois vamos contratar novos profissionais. Devemos realizar um concurso para ampliar o número de seguranças. Por fim, estamos mudando a rede elétrica do campus para melhorar a iluminação dos espaços públicos. Vamos também capinar toda a área de mato da UFPE para melhorar a visibilidade e dar um melhor aspecto ao local.

O senhor não deixou a sala de aula após assumir o cargo de reitor. Como o senhor concilia as duas funções?

Ainda dou aula na pós-graduação, pois não queria deixar os alunos que fazem mestrado e doutorado na minha área. Sou um pesquisador e pretendo equilibrar a minha função de gestor da universidade com a atividade de pesquisador, docente. São 34 anos de dedicação integral à universidade. Trabalho à noite e nos fins de semana para conciliar as funções. Atualmente, ministro apenas uma disciplina por semestre na pós-graduação de engenharia civil. É uma disciplina de gestão das infraestruturas. Estudamos os problemas da cidade e das políticas públicas na área de engenharia dos transportes.


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