VESTIBULAR // Receita de sucesso para escola pública


PDF Imprimir E-mail

06.02.2010

Diário de Pernambuco - Vida Urbana

Receita de sucesso para escola pública

Vestibular // Depois de brilhar com dois alunos nos primeiros lugares da UFPE, colégio modelo da Fcap atrai atenções da população
Juliana Colares
Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.


A escola não tem espaço físico próprio, laboratório de ciências, nem quadra esportiva. A maior parte dos professores tem contrato temporário e a direção nem sempre consegue manter os salários dos educadores em dia. Motivos suficientes para não figurar na lista das mais "desejadas", diriam alguns. Mas na última quinta-feira, quando abocanhou os dois primeiros lugares gerais do vestibular da Universidade Federal de Pernambuco, a Escola do Recife provou, mais uma vez, que não precisa ser cara para ser boa. Que beleza não é tudo. Que decoreba e bizu estão fora de moda. E que instituições públicas podem, sim, oferecer educação de qualidade. E nem adianta correr para garantir uma vaga na escola para este ano. Agora, só em 2011.


Os amigos Bárbara Lins e Victor Santos, primeiro e segundo lugar geral, respectivamente, no vestibular da UFPE. Ela em jornalismo, ele em direito Foto: Fellipe Castro/Esp. para o DP/D.A Press
A Escola do Recife é vinculada à Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (Fcap), que faz parte da Universidade de Pernambuco (UPE). Surgiu em agosto de 1984 do sonho de professores e dirigentes da Fcap. Eles queriam criar uma escolaque servisse de modelo de excelência na rede pública. Nunca teve um perfil pedagógico voltado para o vestibular. Mas para a formação de cidadãos críticos. Coincidência ou não, o sucesso em dobro na seleção mais cobiçada do estado veio no ano em que o Exame Nacional do Ensino Médio teve mais peso, valendo como nota da primeira fase. E que exigiu um aluno antenado com o mundo, o social. Segundo a assessoria de imprensa da Covest, não se tem notícia de que algum estudante de escola pública tenha alcançado o primeiro lugar do vestibular da UFPE desde, pelo menos, 1993.

Mas estudar na Escola do Recife não é para todos. A instituição oferece do 6° ao 9° ano do ensino fundamental, o ensino médio e um curso técnico em administração. Cada série tem apenas uma turma, com exceção do curso técnico, que tem duas entradas com 70 vagas, cada uma. São apenas 292 estudantes nos ensinos fundamentais e médio e 94 no técnico. A cada ano a instituição só abre vagas para o 6º ano (antiga 5ª série). São 40: 10 para filhos de servidores da UPE e 30 para o público externo. Em média, 800 jovens entram na disputa, a cada ano, a uma das 30 vagas destinadas a quem não é da "casa".

A forma encontrada pela escola para selecionar quem entra foi uma prova com questões de português e matemática. As poucas vagas que surgem nas outras séries são ocupadas por filhos de servidores, também por meio de seleção. As aulas acontecem nas salas da Fcap (todas climatizadas), no horário em que não há aulas na faculdade. Ou seja, à tarde. Só o técnico ocorre à noite.

Apesar de ser pública, a escola cobra mensalidade - R$ 119. Mas os filhos dos servidores e alunos de baixa renda têm bolsa. São 89 integrais para alunos do fundamental e do médio, além de 26 totais para estudantes do curso ténico. Sem esquecer dos 11 estudantes que têm desconto de 50%. A inadimplência, diz a coordenação, chega a 85%. O dinheiro é usado para pagar os professores que prestam serviço, segundo a direção. "O que o aluno paga não é suficiente e acabamos suprindo o restante com receita da pós-graduação (da Fcap)", disse o diretor da escola e da faculdade, Arandi Maciel Campelo. Segundo ele, não há previsão de realização de concurso para professores para a escola.

Compartilhar

 

573 visitantes online | 894 visualizações

[ voltar ]