PROFISSÃO // Intérpretes da sociedade


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08.03.2010


Diário de Pernambuco

Intérpretes da sociedade

Graduação em história pode ser a opção para os que curtem o conhecimento da humanidade e gostam da sala de aula
Raissa Nascimento // Especial para o Diario
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Refletir, interpretar e discutir os acontecimentos sociais são atividades do profissional formado em história.  
A graduação que pode ser na área de licenciatura ou de pesquisa exige do estudante um bom domínio das disciplinas de história e geografia, senso crítico aguçado e hábito da leitura.

"A profissão também exige espírito investigativo para compreender os fatores sociais que repercutiram nos acontecimentos da humanidade", explica a coordenadora da graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Virgínia Almoedo. "O historiador estuda o passado, interpretando os fatos através da contextualização do pensamento cultural de cada época, tendo por objetivo arquivar a memória dos caminhos percorridos pelo homem", revela a coordenadora.

Para o estudante do 4º período de licenciatura em história da Universidade Católica de Pernambuco, Felipe Alves, a mágica do curso consiste em analisar criticamente os acontecimentos que marcaram a trajetória da humanidade. "Decidi seguir carreira pois quero incentivar os meus futuros alunos a refletirem sobre a nossa sociedade e assim desenvolver um senso crítico que contribua para uma transformação do pensamento cultural do indivíduo", conta Alves.
 
O curso de história oferece ao estudante duas opções de atuação no mercado de trabalho, o ensino e a pesquisa histórica. "O que vai determinar a escolha do vestibulando entre as duas áreas será o perfil do aluno e o que ele espera da profissão", explica Vírgina Almoedo. Ela ressalta ainda que o perfil para ensinar exige amor ao conhecimento e domínio para transmití-lo aos outros. Enquanto que o bacharel irá trabalhar com a pesquisa histórica sendo fundamental a curiosidade e o faro investigativo, pois serão as suas grandes aliadas na profissão.

A formação acadêmica de ambos os cursos tem duração de oito períodos e a grade das disciplinas apresentam algumas semelhanças e várias diferenças. As matérias sobre a história da humanidade são iguais para ambosos cursos, porém na licenciatura o aluno adquire conhecimentos sobre as práticas pedagógicas, a didática do ensino e a psicologia da educação. Já o estudante do bacharelado se dedica mais ao estudo da prática de pesquisa e elaboração de projetos. Segundo Virgínia Almoedo, o curso da Federal oferece ao profissional a possibilidade de se formar em ambas as graduações. "Depois de concluir, por exemplo, a licenciatura a pessoa entra como portador da diploma em bacharel, não é necessário prestar um novo vestibular. E vice-versa. Ao todo, o profissional pode se formar em licenciatura e bacharel de história com aproximadamente cinco anos de estudos intensos", explica Virgínia.

Onde estudar:

Universidade Federal de Pernambuco (81) 2126-8290/8291
Universidade Estadual de Pernambuco - (81) 3633-1141
Universidade Católica de Pernambuco - (81) 2119-4000
Fundação de Ensino Superior (Funeso) - (81) 3054-1957
Universidade Estadual Vale do Acaraú (Uva) - (88) 3677-7858

História de sucesso // Sem paixão, desista

Ser historiador é ter a mente aberta para poder observar o passado. O preconceito deve ser deixado de lado e o profissional precisa ser imparcial durante a investigação histórica. Estas são as diretrizes de atuação do professor e historiador Marcus Carvalho que leciona na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desde 1989.

 
"Trabalho com o ensino e a pesquisa histórica e aprecio ambos. Verifico que há complemento entre ambas as profissões, por exemplo, a sala de aula é o primeiro espaço de discussão das descobertas do historiador e também o local onde se aprimoram os conhecimentos", comenta Carvalho.

Ambas as profissões exigiram muito de Marcus, que se dedicou intensamente ao trabalho, tanto como professor quanto pesquisador, por considerá-los como um lazer em sua vida. "Amo o que faço, sempre acreditei que a chave do sucesso é ter uma profissão que você também considere uma paixão. Trabalhar tem que ser uma coisa interessante. Se você não gosta, não se dedica, e assim não se torna um bom profissional", conta Carvalho. E explica: "Ser professor de história foi a minha terapia para vencer a timidez na hora de divulgar o conhecimento aos meus alunos e o grande desafio de atuar como historiador acredito que tenha sido ter coragem de expor as minhas ideias em publicações científicas".

Na opinião do professor Marcus Carvalho, é de suma importância a interação dos trabalhos desenvolvidos pelos professores e pesquisadores. "Ambos precisam estar em contato constantemente, pois o ensino é um complemento importante para a reflexão intelectual desenvolvida pela pesquisa histórica e vice-versa", opina Carvalho.

Recentemente, ele concretizou mais uma etapa importante de sua formação profissional: terminou o pós-doutorado na França. "O aperfeiçoamento é imprescíndivel ao historiador, pois a experiência humana é muito mais diversa e fantástica do que a fantasia possa imaginar", diz Carvalho.

Marcus acredita que o profissional formado em história, tanto licenciatura como bacharelado, nunca pode parar de estudar e deve sobretudose aperfeiçoar constantemente. "Eu aconselho sempre aos meus alunos a batalharem pela concretização de seus sonhos, sem se importarem com as dificuldades que serão encontradas ao longo do caminho", exalta Carvalho.

Breve Perfil

* Recebeu no ano de 2000 o Título do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

* O mestrado sobre a história do Brasil foi realizado na Universidade Federal de Pernambuco.

* O doutorado sobre a história da América Latina foi realizado na Universidade Illinois, nos Estados Unidos.

* Recentemente, realizou um estudo sobre o tráfico de escravos no século 19, na Escola de Altos Estudos de Paris.

Rotina de muita pesquisa

O profissional formado em bacharel em história pode ser classificado como intérprete da sociedade por se dedicar ao estudo das experiência vividas pelo homem. 
 
O campo de atuação é primordialmente a pesquisa, na qual o mais importante não é ter as respostas e sim saber formular as perguntas para desvendar os acontecimentos históricos.

Para iniciar uma pesquisa histórica, o pesquisador terá como primeira atividade a definição do seu objeto de estudo e o contexto temporal em que será analisado. Terminada esta etapa, o próximo passo consiste em levantar todo o material bibliográfico relacionado com a pesquisa e por fim haverá uma análise crítica de todos os dados que foram arquivados.

De acordo com a historiadora Mariana Leitão, o pesquisador dedica muitas horas do seu dia em arquivos públicos, bibliotecas e acervos particulares para reunir todo o material bibliográfico. "No cotidiano da profissão sempre estamos em contato com livros, jornais antigos e peças que retratam o fato pesquisado", explica a pesquisadora.

Os temas das pesquisas históricas podem ser referentes a qualquer fator histórico, como por exemplo, o trabalho desenvolvido pela equipe de historiadores Mariana Leitão, André Soares e João Paulo Jarjor sobre a vida de Frei Damião. André diz que o objetivo da pesquisa é comprovar dentro dos aspectos históricos e religiosos o papel de Frei Damião no Nordeste brasileiro. "No término do projeto vamos entregar um relatório com todo o material catalogado para o Convento de São Félix, que dará entrada no Vaticano com o pedido de beatificação e canonização do capuchinho", revela André Soares.

Dedicação e muito estudo

O profissional formado em licenciatura em história trabalha com educação, ensinando alunos e alunas a interpretar os fatos históricos da trajetória da humanidade. A carreira pode começar ainda na infância, demonstrando-se gosto pela disciplina no colégio. No entanto, para atuar como professor de história é necessário muita dedicação, estudo e criatividade, assim o ensino da disciplina desenvolverá nos estudantes um senso crítico sobre os atos humanos.

Na opinião do coordenador do curso de licenciatura na Universidade Estadual de Pernambuco (UPE), José Maria Neto, durante o período de estágio curricular o estudante aprende formas criativas de transmitir o conhecimento. "Na formação do professor são necessários ter o aprofundamento teórico que se adquiri através dos estudos; desenvolver a pesquisa acadêmica e inovar com os projetos pedagógicos para a escola", conta Neto.

Seguindo este princípio de inovação pedagógica, o professor de história João Paulo Jarjor inovou no método de ensino das aulas, implantando na escola o laboratório da disciplina. "Planejamos atividades extras como visitas ao Arquivo Público, realizamos a semana da história, na qual houve encontro com professores acadêmicos e os estudantes finalizavam o encontro com um debate sobre os acontecimentos históricos atuais", explica Jarjor, acrescentando: "Com esta nova atuação pedagógica conseguimos que os nossos alunos participassem, no ano passado (2009), da final da primeira Olimpíada Brasileira de História, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo".

Já o professor da Universidade Católica de Pernambuco, José Ernani destaca que na atuação em licenciatura de história o mais importante é a relação interpessoal entre o professor e o aluno. "O educador deve ter a capacidade de interagir com as pessoas, observar o comportamento do estudante e o que ele quer transmitir", comenta Ernani.

Entrevista // Erudição como diferencial

"O ensino da história já faz parte da minha vida".
 
Alberon diz que mercado é amplo, mas a sala de aula ainda é o filão. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press
Assim o professor Alberon Lemos resume o significado da profissão que ele escolheu há mais de 14 anos. Formado em bacharel e licenciatura, fez mestrado e atualmente cursa o doutorado na UFPE."Trabalho em escolas da rede pública na cidade de São Lourenço da Mata e também na Universidade Estadual de Pernambuco, no campus de Nazaré da Mata, e me sinto revigorado na sala de aula com a troca de conhecimento", comenta Lemos. Nesta entrevista ele explica como está o mercado de trabalho para quem quer ser professor e esquisador.

Qual o perfil profissional do historiador?

A pessoa que quer seguir carreira como historiador precisa antes de tudo ser um erudito, admirar nossas raízes culturais e gostar de seus mais variados aspectos. Também é importante que tenha características como ser instigador, reflexivo, contemplativo e investigativo.

E quais as áreas de atuação? E onde se emprega mais?

O profissional pode trabalhar ensinando, desenvolvendo pesquisas e assessorando a mídia com programas de televisão e até mesmo filmes que vão narrar algum acontecimento da história da humanidade. O ensino da disciplina nas escolas é o que mais proporciona emprego na área.

Qual a média salarial do profissional?

O salário varia muito. Por exemplo, no início da carreira de licenciatura o professor pode receber R$ 1.000 e depois pode chegar até R$ 5.500.

Que conselho daria para quem pretende seguir carreira em história?

Invista na erudição. Leia muito e sobre qualquer assunto, assista a bons filmes, conheça a sua realidade sociopolítica e questione criticamente a realidade do local em que vive.


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