07.04.08

Uso de aditivo melhora microestrutura da cerâmica utilizada em próteses dentárias


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Por Mariana Souza, da Ascom/UFPE
 
Com a utilização dos aditivos CMC e ADCER ocorre uma melhora na microestrutura da cerâmica nas próteses metalo-cerâmicas. Essa foi a conclusão obtida pelo mestrando Fernando Bezerra Ramos Filho em sua dissertação de Mestrado em Engenharia Mecânica, intitulada "Desenvolvimento e Caracterização de Cerâmicas para Fabricação de Próteses Dentárias". O estudo foi orientado pelo professor Yogendra Prasad Yadava e está filiado à linha de pesquisa de “Engenharia de Materiais e Fabricação”.
 
Para realizar a pesquisa, o mestrando escolheu a cerâmica e os aditivos mais adequados aos seus objetivos. “Levamos em consideração os que tinham custos benefícios mais atraentes, sendo assim mais utilizados pelos profissionais em nossa região”, explica. A cerâmica selecionada foi a Massa de Dentina Opaca “Vision Classic” de fabricação da Wohlwend e distribuída no Brasil pela Servo-Dental. Os aditivos escolhidos, todos à base de Carboximetilcelulose de Sódio – produto derivado da celulose , foram o “CMC”, fabricado pela Manchester Química do Brasil Ltda, o “ADCER”, fabricado pela ADCER Produtos Químicos Ltda., e o “Tixolam”, fabricado por Lamberti Ceramic Additives e distribuído no País pela Lambra Produto Químico Auxiliares.
 
Fernando Bezerra realizou testes laboratoriais, verificando a composição da cerâmica pura e dos aditivos já que os fabricantes não disponibilizam suas composições detalhadas , as reações que ocorrem na interface  área da adesão entre cerâmica e metal , tamanho dos grãos e propriedades mecânicas. “As propriedades das cerâmicas, bem como dos demais materiais, são fundamentalmente influenciadas pela qualidade das matérias-primas a partir das quais as mesmas são fabricadas e pela microestrutura final. Assim sendo, qualquer tentativa de controle das propriedades de um produto deve passar pelo entendimento das propriedades básicas dos materiais”, coloca o estudioso.
 
O pesquisador confeccionou dezesseis próteses metalo-cerâmicas para proceder aos ensaios e análises. Quatro amostras foram confeccionadas com cerâmica pura, e as outras doze estavam divididas em grupos de quatro, cada um deles misturado com um dos aditivos no percentual utilizado na indústria por orientação dos fabricantes, 1%.
 
A área de adesão entre cerâmica e metal não sofreu alterações significativas em nenhuma das peças confeccionadas. Porém, com a utilização dos aditivos CMC e ADCER, ocorreu uma melhora na microestrutura da cerâmica, pois foi verificada uma melhor uniformidade superficial e maior compactação e homogeneidade nas microestruturas  características estruturais encontradas nos materiais  das mesmas. Nas amostras desses aditivos também foi percebido um aumento do valor da dureza, o que as torna mais resistentes.
 
As amostras confeccionadas com cerâmica aditivada resultaram em próteses com acabamento e brilho muito bons, mas a de CMC apresentou um ligeiro escurecimento na sua coloração em relação à cerâmica pura, enquanto a com ADCER apresentou um clareamento. A com aditivo Tixolam se mostrou menos eficiente. “O alto teor do oxido de silício (SiO2) e o menor teor da Carboximetilcelulose no aditivo Tixolam, deve ser o responsável pela menor qualidade microestrutural que suas próteses apresentaram em relação as demais”, explica o pesquisador.
 
UTILIZAÇÃO “Esperamos com este trabalho poder ajudar aos pesquisadores e profissionais que fazem uso de cerâmica para próteses, a partir de um melhor conhecimento da sua composição e da possibilidade de melhoria delas com a utilização de aditivos empregados na indústria tradicional de cerâmicas”, diz o pesquisador. O interesse nessa área veio do trabalho na Celite, empresa fabricante de louças sanitárias, e da observação do trabalho de um tio, técnico em próteses dentárias. “Ao vê-lo trabalhando com as próteses fiquei muito impressionado, e achei que poderia realizar um trabalho para melhorar o processo utilizado por ele”, justifica.
 
Fernando Bezerra termina seu trabalho fazendo sugestões para trabalhos futuros, como o desenvolvimento de composições para cerâmicas utilizadas em próteses dentárias,visando sua  fabricação no Brasil, já que as disponíveis no mercado do país hoje são importadas. Outra possibilidade levantada pelo pesquisador é a utilização dos aditivos CMC e ADCER nas cerâmicas apropriadas para confecção de próteses em cerâmica pura, sem metal, para verificar se também ocorrerá uma melhoria na microestrutura e dureza das próteses confeccionadas.
 
O trabalho desenvolvido pelo estudioso será apresentado no 52° Congresso Brasileiro de Cerâmica, a ser realizado em Florianópolis, entre 8 e 11 de junho deste ano. “Poucas pesquisas sobre o tema foram realizadas, todas fora do Brasil. Porém, nenhuma fez o uso do aditivo que foi utilizada por nós, por isso posso afirmar que nosso trabalho é inédito neste campo de próteses dentárias”, comenta Fernando Bezerra.
 
CERÂMICA  A cerâmica tem um papel importante na a economia brasileira, com participação no PIB (Produto Interno Bruto) estimado em 1%, correspondendo a cerca de 6 bilhões de dólares (Preserve Projetos Ambientais, 2003). A pesquisa em tecnologia de cerâmica odontológica é, inclusive, uma das áreas de maior crescimento no ramo de desenvolvimento de materiais odontológicos. Nas duas últimas décadas, numerosos tipos de cerâmicas e métodos de processamento foram introduzidos.
 
Mais informações
Fernando Bezerra Ramos Filho
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