Maio 2007

Mães com depressão pós-parto têm acolhimento no HC


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Os sintomas da depressão pós-parto (DPP) são os mesmos da depressão normal. Em casos mais graves, a mãe pode abandonar o bebê e até cometer suicídio ou tentar matá-lo. Dez por cento das mães, sejam elas primíperas (ditas de primeira viagem) ou não, sofrem com esse mal, em diferentes graus. Foi pensando nesse quadro que o Serviço de Saúde Mental do Hospital das Clínicas (HC) da UFPE implantou um ambulatório direcionado para esse público. O atendimento acontece às terças-feiras pela manhã, no segundo andar do HC. Para marcar a primeira consulta não é necessário encaminhamento.

Angústia, tristeza, desesperança, choro fácil e freqüente, perda de apetite e de peso são sintomas clássicos da doença, que se manifestam entre a segunda e a terceira semana após o nascimento do bebê. Também podem ocorrer pensamentos obsessivos. Eles vêm à mente sem querer e a mulher sabe que eles não fazem sentido. Um exemplo é fazer mal a criança. Para ser considerado DPP é necessário que ela ocorra até o sexto mês após o parto.

De acordo com a psiquiatra Carla Zambaldi, responsável pelo ambulatório, a procura por ajuda médica é retardada pelas pacientes. “Elas se sentem culpadas por estarem deprimidas quando passam por um momento considerado de muita felicidade, que é a chegada de um filho”, afirma. A médica alerta que é preciso acompanhamento médico. “Sozinha, a mãe não resolve o problema”, destaca. O apoio da família nesse momento é importante e ela deve estimular a procura por ajuda médica.

É necessário atenção para não confundir depressão pós-parto com “blues puerperal”, uma depressão leve, que acomete 80% das puérperas, logo nas primeiras semanas após o nascimento. O “blues” se caracteriza pelo aumento da sensibilidade e da emotividade. “Não é tristeza e passa rapidamente”, afirma Carla Zambaldi.

O tratamento da depressão pode ser feito com psicoterapia e/ou com medicamento, dependendo do caso e dura no mínimo seis meses. Hoje existem remédios que podem ser usados durante o período de amamentação, de valor acessível e disponibilizados nas farmácias hospitalares.

DESENCADEAMENTO – A origem da DPP está relacionada aos hormônios progesterona e estrogênio, que sofrem uma redução severa no pós-parto, enquanto na gestação estão em alta. Esse é um fator desencadeante que leva à diminuição dos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e dopamina), que influem na regulação do humor, das emoções e do comportamento.

Serviço
Ambulatório de Depressão Pós-Parto
(81) 2126.3692

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